VIVEMOS O SÉCULO DO BEM ESTAR. E O MUNDO DO VINHO, ESTÁ EM CRISE?
- Cristiane Marega

- há 9 horas
- 2 min de leitura

Nunca se falou tanto sobre saúde, longevidade, equilíbrio e escolhas conscientes. Alimentação, sono, atividade física e até o consumo de álcool passaram a ser observados sob uma nova lente. Nesse contexto, o vinho historicamente associado à cultura, ao prazer e à convivência parece estar sendo colocado no banco dos réus.
Mas será que estamos diante de uma crise do vinho ou de uma profunda transformação do seu consumo?
Os fatos
Segundo relatórios da OIV Organização Internacional da Vinha e do Vinho de 2025 e o início de 2026, o consumo global de vinho atingiu o nível mais baixo desde 1961. O dado chama atenção, mas isoladamente não explica o fenômeno. Para compreendê lo, é preciso olhar para mudanças comportamentais profundas.
Três fatores se destacam nesse novo cenário mundial.
O primeiro é a Geração Z, a geração da saúde, da performance e da consciência. Diferente das gerações anteriores, ela não cresceu sob a influência de propagandas que romantizavam o consumo de álcool. Para esse público, uma taça de vinho pode facilmente ser vista como um vilão quando não há propósito, contexto ou qualidade. O consumo automático perdeu espaço para a escolha consciente.
O segundo fator é a ascensão dos análogos de GLP 1, medicamentos que vêm transformando hábitos alimentares e comportamentais. Eles reduzem a impulsividade e o desejo por excessos, inclusive o de beber. O vinho do dia a dia, consumido quase por inércia, deixa de fazer sentido. Beber passa a ser uma decisão e não mais um hábito.
O terceiro fator é cultural e talvez o mais revelador. Vivemos uma era de menos volume e mais intenção. Isso não afeta apenas o vinho, mas todo o mercado de bebidas.
O que realmente está em queda?
O consumo vai continuar caindo. Mas não de forma homogênia.
O que perde espaço são os vinhos de baixa qualidade, produzidos em alta escala, padronizados, sem identidade e sem alma. Vinhos que existem para ocupar prateleiras e não para criar memórias.
Em contrapartida, cresce o interesse por vinhos de alta qualidade, com origem clara, história, propósito e vínculo emocional com quem consome. Vinhos que não pedem quantidade, mas atenção. Que não competem por preço, mas por significado. Vinhos que são bebidos menos vezes, porém melhor.

É exatamente nesse ponto que a transformação do consumo encontra sentido na forma como a Arpuro produz seus vinhos. Aqui, o vinho nunca foi um produto de volume, mas de propósito. Ele nasce do cuidado com a terra, do respeito ao tempo e, principalmente, da força da família. Cada garrafa carrega pertencimento, tradição e a ideia de que o vinho é um elo, um convite à mesa, à conversa e à presença.
Talvez o mundo do vinho não esteja em crise. Talvez ele esteja apenas se afastando do excesso e voltando para a sua essência. E essa essência sempre foi a mesma: qualidade, propósito e pessoas reunidas em torno de uma história que vale a pena ser vivida e compartilhada.
Um brinde aos bons vinhos! Salute!!




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